quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A doutrina da Trindade

I. A TRINDADE DEFINIDA
Talvez o sentido da Trindade de Deus nunca foi afirmado melhor do que está por A. H. Strong – “em a natureza do Deus único há três distinções eternas que se nos representam sob a figura de pessoas e estas três são iguais” (Systematic Theology, pág. 144).
Os princípios do Seminário Teológico Batista do Sul estabelecem a doutrina da Trindade como segue: “Deus nos é revelado como Pai, Filho e Espírito Santo, cada um com atributos pessoais distintos, mas sem divisões de natureza, essência ou ser”.
Na consideração destas definições, notai:
1. A TRINDADE CONSISTE DE TRÊS DISTINÇÕES.
A doutrina da Trindade não quer dizer que Deus meramente Se manifesta em três diferentes maneiras. Há três distinções atuais na Divindade. A verdade disto aparecerá mais claramente depois.
2. ESTAS TRÊS DISTINÇÕES SÃO ETERNAS.
Isto está provado, de um lado, pela imutabilidade de Deus. Se já houve um tempo em que estas distinções não existiram, então, quando vieram a existir, Deus mudou. Provado está outra vez pelas Escrituras, as quais afirmam ou implicam a eternidade do Filho e do Espírito Santo. Vide João 1:1,2; Apocalipse 22:13,14; Hebreus 9:14.
“Não é resposta a isto, que as expressões “gerado” e “procedido de” envolvem, a idéia da existência antecedente do que gera e de quem há processão, porque estes são termos da linguagem humana aplicados a ações divinas e devem ser entendidos ajustadamente a Deus. Não há aqui dificuldade maior do que em outros casos em que este princípio está prontamente reconhecido (Boyce, Abstract of Systematic Theology, págs. 138, 139).
3. ESTAS TRÊS DISTINÇÕES NOS SÃO REPRESENTADAS SOB A FIGURA DE PESSOAS, MAS NÃO HÁ DIVISÃO DE NATUREZA, ESSENCIA OU SER.
A Doutrina da Trindade não quer dizer triteismo. Quando falamos das distinções da Divindade como pessoas, devemos entender que usamos o termo figuradamente. Não há três pessoas na Divindade no mesmo sentido em que três seres humanos são pessoas. No caso de três seres humanos há divisão de natureza, essência e ser, mas Deus não é assim. Tal concepção de Deus está proibida pelo ensino da Escritura quanto à unidade de Deus.
4. OS TRÊS MEMBROS DA TRINDADE SÃO IGUAIS.
Muitos dos mesmos atributos atribuem-se a cada membro da Trindade e os atributos assim atribuídos são tais como não podiam ser possuídos sem todos os outros atributos divinos. A igualdade dos membros da Trindade mostra-se ainda pelo fato de cada um deles ser reconhecido como Deus, como veremos depois.
II. PROVAS ESCRITURISTICAS DA DOUTRINA DA TRINDADE.
1. O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO SÃO TODOS RECONHECIDOS COMO DEUS.
(1. O Pai Reconhecido como Deus.
Isto ocorre em tão grande número de passagens que é por igual desnecessário e impraticável citá-las todas. As duas seguintes bastarão:
“Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este selou o Pai, Deus” (João 6:27).
“Eleitos… segundo a presciência de Deus o Pai” (1 Pedro 1:1,2).
(2) O Filho Reconhecido como Deus.
A. Ele é chamado Deus.
João 1:1; Romanos 9:5; 1 João 5:20.
B. Passagens que no Velho Testamento se referem a Deus são aplicadas ao Filho em o Novo Testamento.
Mateus 3:3, aludindo a Isaías 40:3; João 12:41 aludindo a Isaías 6:1.
C. O Filho possui os atributos de Deus.
Eternidade: João 1:1; Onipresença: Mateus 28:20 e Efésios 1:23; Onisciência: Mateus 9:4 e João 2:24,25 e João 16:30 e 1 Coríntios 4:5 e Colossenses 2:3; Onipotência: Mateus 28:18 e Apocalipse 1:8; Auto-existência: João 5:26; Imutabilidade: Hebreus 13:8; Verdade: João 14:6; Amor: 1 João 3:16; Santidade: Lucas 1:35 e João 6:39; Hebreus 7:26.
D. As obras de Deus são atribuídas ao Filho.
Criação: João 1:3; 1 Coríntios 8:6; Colossenses 1:16; Hebreus 1:10. Conservação: Colossenses 1:17; Hebreus 1:3. Ressuscitando os mortos e julgando: João 5:27-28; Mateus 25:31,32.
E. Ele recebe honra e adoração só a Deus devidas.
João 5:23; Hebreus 1:6; 1 Coríntios 11:24,25; 2 Pedro 3:18; 2 Timóteo 4:18.
(3. O Espírito Santo é reconhecido como Deus.
A. A Ele se atribuem os atributos de Deus.
Eternidade: Hebreus 9:14; Onisciência: 1 Coríntios 2:10; Onipresença: Salmos 139:7; Santidade: todas as passagens que aplicam o termo “santo” ao Espírito; Verdade: João 16:13; Amor: Romanos 15:30.
B. Ele está representado como fazendo as obras de Deus.
Criação: Gênesis 1:2; “movia” significa “chocava”. Regeneração: João 3:8; Tito 3:5. Ressurreição: Romanos 8:11.
2. O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO ASSOCIAM-SE JUNTAMENTE NUMA BASE IGUAL.
Isto está feito. –
(1) Na formula do Batismo. Mateus 28:19
(2) Na Benção Apostólica. 2 Coríntios 13:14.
3. O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO DISTINGUEM-SE UM DO OUTRO.
(1) O Pai e o Filho distinguem-se um do outro.
O Pai e o Filho distinguem-se como o que gera do gerado; e como o que manda do enviado. Cristo distinguiu-se do Pai quando orou ao Pai, como fez muitas vezes. Que a distinção assim implicada não foi temporal, continuando somente enquanto Cristo esteve na carne, está provado pelo fato que Cristo ainda intercede com o Pai (Hebreus 7:25; 1 João 2:1). Ele é um mediador perpétuo entre Deus e o homem (1 Timóteo 2:5) e assim é perpetuamente distinguido de Deus.
(2) O Espírito distingue-se do Pai.
O Espírito distingue-se do Pai quando dEle se diz proceder do Pai e ser enviado pelo Pai (João 15:26; 14:26; Gálatas 4:6).
(3) O Filho distingue-se do Espírito.
Jesus está referindo ao Espírito como “um outro Confortador” (João 14:16). E Jesus falou de Si mesmo como enviando o Espírito (João 15:26).
4. O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO SÃO UM DEUS.
Trindade quer dizer tri-unidade, ou três-unidade. Mostramos que há três distinções na Divindade. Agora, para provarmos a doutrina da Trindade, mais que a doutrina de Triteismo, devemos mostrar que os três, enquanto sendo distinguíveis um do outro, contudo são um. Isto está provado:
(1) Por todas as passagens que ensinam a Unidade de Deus.
O estudante refere-se aqui ao capítulo sobre a natureza e os atributos de Deus, onde se notam estas passagens.
(2) Pelo fato que cada um dos três é reconhecido como Deus.
Já mostramos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são várias vezes reconhecidos como Deus na Escritura. Isto mostra Sua unidade, porque Deus está representado como sendo o Ser Supremo. Por essa razão não podia haver três Deuses. A supremacia só é possível a um só.
(3) Pelo fato que os Três são iguais.
Já discutimos a igualdade dos membros da Trindade. Igualdade absoluta é impossível sem identidade na essência, em a natureza e no ser.
III. A DOUTRINA DA TRINDADE É MISTÉRIO INSCRUTAVEL E INSOLUVEL AS MENTES FINITAS; MAS NÃO É AUTO-CONTRADITORIA.
Não fazemos tentativas de negar ou de explicar o mistério da doutrina da Trindade. Alto mistério é que mentes humanas nunca podem sondar.
Contudo, a doutrina da Trindade não é autocontraditória. Deus não é três no mesmo sentido em que Ele é um. Ele é um em essência, natureza e ser; mas, nesta uma essência, natureza e ser há três distinções eternas que se nos representam de uma tal maneira que as chamamos pessoas. Quem pôde dizer que tais distinções são impossíveis em a natureza de Deus? Para fazer isso ter-se-ia de ter perfeito entendimento da natureza de Deus. De maneira que fazemos bem de aceitar o que a Escritura ensina e deixar o mistério para solucionar-se quando tivermos mais luzes, se semelhante luz que nos habilite a explicar e entender nos for sempre dada. O mistério vem por causa de nossa inabilidade para compreendermos totalmente a natureza de Deus.
Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

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